Anemia falciforme no envelhecimento

Anemia falciforme no envelhecimento

As anemias fazem parte de um conjunto de doenças que afetam a hemoglobina (hemoglobinopatias), um pigmento de coloração avermelhada que é responsável pelo transporte de oxigênio para os nossos órgãos.

Muitas vezes, a anemia é causada pela deficiência nutricional de ferro, dado que a hemoglobina apresenta este elemento em sua composição. Porém, as anemias também podem ser causadas por outros fatores, como verminoses e fatores genéticos.

Uma dessas condições é a anemia falciforme

A anemia falciforme é uma doença hereditária (passada de pais para os filhos) causada por uma mutação no gene que codifica a hemoglobina, o que faz com que sua forma A (normal) seja substituída pela hemoglobina S. Esta mutação modifica o formato das hemácias, que adquirem a forma de foice.

Estas hemácias em forma de foice são mais rígidas e mais susceptíveis à sua destruição, o que faz com que elas permaneçam menos tempo na corrente sanguínea. Por sua forma irregular, essas hemácias também comprometem a intensidade do fluxo sanguíneo, visto que podem aderir à parede dos vasos e, assim levar ao acúmulo de sangue nos vasos sanguíneos e comprometer a oxigenação dos tecidos.

Como é feito o seu diagnóstico?

A anemia falciforme pode ser detectada no Teste do Pezinho, realizado nos recém-nascidos entre o 3º e o 5º dia de vida, e que é obrigatório em todo o território brasileiro. Este teste permite identificar tanto a anemia falciforme (quando o bebê apresenta o gene mutante tanto de origem materna quanto paterna) ou o traço falcêmico (quando possui o gene mutante de apenas um dos pais).

Em caso de suspeita da doença falciforme ou do traço falcêmico, a eletroforese de hemoglobina é solicitada e realizada a partir dos 4 meses de idade para confirmação do diagnóstico.

Quais são os seus sintomas?

Os sintomas da anemia falciforme surgem já no primeiro ano e se estendem por toda a vida do paciente. Além disso, podem se manifestar de forma diferente em cada paciente.

As dores causadas pela obstrução dos vasos sanguíneos em consequência da adesão das hemácias falciformes à parede desses vasos são os sintomas mais frequentes da anemia falciforme. Essas dores têm duração variável e atingem principalmente os ossos e as articulações, porém, podem acometer qualquer parte do corpo.

Outro sinal muito comum da doença é presença de coloração amarelada na pele e na região branca dos olhos (icterícia), devido ao rompimento das hemácias.

Pacientes com anemia falciforme também têm maior risco de desenvolver infecções. Além disso, podem apresentar inchaço e dor das extremidades (mãos e pés) devido ao comprometimento dos pequenos vasos sanguíneos locais e a formação de feridas no tornozelo. Uma complicação da doença é o aumento repentino do volume do baço, que exige tratamento emergencial por colocar a vida do paciente em risco.

Complicações e manejo da anemia falciforme na melhor idade

O cuidado com idosos portadores da anemia falciforme é desafiador já que existem poucas evidências disponíveis.

Pacientes idosos apresentam maior risco de desenvolverem falência múltipla dos órgãos devido à obstrução dos vasos sanguíneos, hemólise (rompimento das hemácias), doenças vasculares progressivas e inflamação. Essas complicações afetam os ossos e articulações, e podem interferir no funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos, o pulmão, rins, fígado e cérebro.

Além disso, conforme envelhecemos, nos tornamos mais susceptíveis ao desenvolvimento de diversas doenças e comorbidades que dificultam ainda mais a compreensão da anemia falciforme na melhor idade. Por isso, é importante ter consciência dessas comorbidades e de como é possível diferenciá-las da anemia falciforme, para então, definir qual a melhor estratégia terapêutica a ser utilizada.

Existe tratamento para a anemia falciforme?

Cabe ressaltar que ainda não existe um tratamento específico para esta doença. Dessa forma, é realizado o tratamento dos sintomas e a adoção de medidas preventivas que auxiliem detecção precoce e na minimização ou prevenção dos sintomas.

Algumas dessas medidas incluem: alimentação saudável, manutenção da hidratação, evitar condições climáticas adversas, diagnóstico e o tratamento precoce de infecções e outros sintomas.

A transfusão de sangue é uma estratégia que pode auxiliar na oxigenação e no transporte de sangue para os tecidos que também pode contribuir para a diluição da concentração de hemácias foiciformes na circulação. Porém, seu uso ainda deve ser avaliado, principalmente em longo prazo, dado que pode trazer outras complicações.

E, embora novas estratégias terapêuticas estejam em desenvolvimento, ainda é necessária a realização de diversos estudos clínicos a fim de avaliar a eficácia desses possíveis tratamentos.

Mas, o acompanhamento por uma equipe composta por profissionais multidisciplinares (médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos, entre outros) faz a diferença na qualidade de vida desse paciente e de toda sua família.

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Referências:

Ballas S. K (2018). Comorbidities in aging patients with sickle cell disease. Clinical Hemorheology and Microcirculation.

Thein M. S, Igbineweka N. E, Thein S. L (2016). Sickle cell disease in the older adult. Pathology.

Ministério da Saúde (2015). Doença falciforme: diretrizes básicas da linha de cuidado. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_diretrizes_basicas_linha_cuidado.pdf.

Ministério da Saúde (2013). Doença falciforme: condutas básicas para tratamento. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_condutas_basicas_tratamento.pdf.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA (2002). Manual de diagnóstico e tratamento de doenças falciformes. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/anvisa/diagnostico.pdf.

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