Esclerose Múltipla – uma doença imprevisível

Esclerose Múltipla – uma doença imprevisível

O envelhecimento é um processo natural que leva ao declínio gradual de várias funções biológicas como o funcionamento do sistema nervoso e os mecanismos de defesa (sistema imune) do nosso organismo. E uma das doenças que acomete ambos os sistemas é a esclerose múltipla.

Mas o que é a esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é uma doença crônica que compromete o funcionamento do sistema nervoso e, apesar de sua origem desconhecida, parece ser resultado da interação entre fatores ambientais e genéticos. Além disso, sua prevalência tem aumentado devido ao aumento da longevidade (expectativa de vida) da população ao redor de todo o mundo, assim como a idade dos pacientes.

Outro fator que contribui para o surgimento tardio da doença diz respeito aos tratamentos disponíveis, que reduzem a frequência de recaídas e retardam a sua progressão. Mas, antes de falarmos disso, precisamos entender um pouco mais sobre a esclerose múltipla.

Um dos mecanismos que explicam a esclerose múltipla diz respeito à ativação de células de defesa, conhecidas como Linfócitos T, que reagem à mielina, uma estrutura formada por proteínas e lipídios (“gordura”) que envolve os neurônios e permite a condução do impulso nervoso com velocidade e precisão. Estas células de defesa se infiltram no sistema nervoso e promovem eventos que contribuem para a desmielinização das células neurais.

Os pacientes com esclerose múltipla também apresentam imunossenescência. Este processo de envelhecimento imunológico está associado ao comprometimento da função imune e aumento da susceptibilidade a infecções, câncer, doenças autoimunes, entre outras. Esta redução da função imune pode estar associada à menor capacidade de proliferação das células medulares e do encurtamento dos telômeros (extremidades dos cromossomos). A diminuição do comprimento dos telômeros, assim como o aumento do estresse oxidativo têm sido sugeridos como marcadores de envelhecimento precoce em muitas doenças autoimunes, inclusive a esclerose múltipla.

Como se dá a progressão e o diagnóstico da doença?

A síndrome clinicamente isolada parece ser o primeiro sintoma da esclerose múltipla e se caracteriza por uma inflamação no sistema nervoso. Durante este episódio, o paciente pode apresentar formigamento ou dormência dos braços, pernas, tronco ou face. Outros sintomas comuns incluem a diminuição da força ou coordenação e alteração da visão.

Neste momento, o acompanhamento médico é muito importante para o diagnóstico correto da doença e avaliar o risco de o paciente desenvolver novos surtos da doença. Falamos em surtos porque o desenvolvimento da doença é bastante imprevisível, embora alguns padrões possam ser identificados:

  • Recaída-remissão: é a forma mais comum da doença e atinge cerca de 80% dos pacientes e se caracteriza pela alternância entre momentos em que os sintomas pioram (recaída) e outros de remissão, quando os sintomas melhoram ou não progridem.
  • Progressivo primário: neste caso, a doença progride sem períodos de piora ou recaídas óbvias, mas existem intervalos em que a doença parece estabilizar.
  • Progressivo secundário: se inicia com o padrão de recaída-remissão, mas posteriormente, ocorre um avanço gradual da doença.
  • Recidivante-progressivo: é uma forma rara de desenvolvimento da doença na qual ocorre a progressão sua gradual que é interrompida pela piora dos sintomas.

Conforme a doença progride, os movimentos se tornam trêmulos e podem levar à imobilidade. A esclerose múltipla também pode comprometer a fala e o controle das emoções e promover incontinência urinária e fecal.

Como os sintomas variam muito entre os indivíduos, o médico, muitas vezes pode não reconhecê-los no estágio inicial e neste caso, o padrão de recaídas e remissões podem contribuir para o diagnóstico. Por isso, é importante ter um registro desses sintomas para que você possa descrevê-los ao médico mesmo que eles não estejam presentes na hora da consulta.

Por outro lado, quando há suspeita da doença, os médicos avaliam a função neurológica e o fundo do olho, dado que, pacientes com esclerose múltipla podem apresentar o disco óptico (local em que o nervo óptico se junta à retina) pálido.

Um dos melhores exames de imagem que auxiliam na detecção da doença é a ressonância magnética, que permite identificar as zonas de desmielinização. Neste caso, um contraste na corrente sanguínea pode ser utilizado para diferenciar se este processo é recente ou já ocorreu a algum tempo. A partir disso, o médico pode prescrever o melhor tratamento.

Atualmente, a esclerose múltipla é tratada com corticosteroides e outros medicamentos que ajudam a diminuir a atividade do sistema imune. Mas, outros fármacos podem ser utilizados no tratamento de sintomas específicos. No entanto, é importante ressaltar que ainda não existe cura para a esclerose múltipla e que estes tratamentos apenas ajudam a diminuir a incidência das recaídas e retardar o avanço da doença.

Quais são os fatores de risco para a doença?

Alguns fatores como sexo, tabagismo, baixos níveis de vitamina D e alimentação são possíveis fatores de risco para o desenvolvimento da esclerose múltipla e podem contribuir para a rápida progressão da doença.

Mas, vários fatores de confusão também devem ser considerados, principalmente aqueles relacionados às funções cognitivas.

Como assim fatores de confusão?

Um dos principais fatores de confusão é a depressão, que atinge entre 37 e 54% dos pacientes com esclerose múltipla e parece ter relação com as estratégias de enfrentamento de situações estressantes. Estes pacientes tendem a reagir negativamente ou evitar tais situações. Além disso, a depressão afeta muitos aspectos da função cognitiva desses pacientes, como: memória de trabalho, velocidade de processamento de informações, funções de aprendizagem, raciocínio abstrato e funcionamento executivo. Mas, o tratamento desse quadro depressivo contribui para a melhora dos pacientes.

A ansiedade também atinge entre 12 e 40% dos pacientes diagnosticados com esclerose múltipla e tem sido relacionada à fadiga, dor, incapacidade, ideação suicida e pouca adesão ao tratamento.

Mas, estes não são os únicos fatores de confusão. Mais de 70% dos pacientes também relatam um cansaço extremo que limita a execução das atividades diárias e impacta negativamente sua qualidade de vida.

Porém, a qualidade de vida de pacientes portadores de doenças crônicas, como a esclerose múltipla, ainda é pouco discutida, principalmente ao se tratar de uma doença que se desenvolve de maneira imprevisível.

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Referências:

Dema M, Eixarch H, Villar L. M, Montalban X, Espejo C (2021). Immunosenescence in multiple sclerosis: the identification of new therapeutic targets. Autoimmunity Reviews.

Oreja-Guevara C, Blanco T. A, Ruiz L. B, Pérez M. A. H, Meca-Lallana V, Ramió-Torrentà L (2019). Cognitive dysfunctions and assessments in multiple sclerosis. Frontiers in Neurology.

Vaughn, C. B, Jakimovski D, Kavak K. S, Ramanathan M, Benedict R. H. B, Zivadinov R, Weinstock-Guttman B (2019). Epidemiology and treatment of multiple sclerosis in elderly populations. Nature Reviews Neurology.

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