O perigo da interação entre medicamentos

O perigo da interação entre medicamentos

Conforme a idade vai chegando, o uso de medicamentos se torna cada vez mais comum! É remédio para pressão, diabetes, depressão, ansiedade, entre outros tantos. E não podemos nos esquecer dos suplementos alimentares.

A polifarmácia, termo relacionado ao uso de múltiplos medicamentos, traz à tona um problema muito comum e que pode trazer sérios riscos para a saúde dos idosos: as interações medicamentosas. Afinal, os efeitos adversos resultantes dessa interação podem dificultar a adesão ao tratamento ou até mesmo a resposta a ele.

Porém, antes de nos aprofundarmos nessa questão, precisamos entender dois conceitos essenciais que irão nos ajudar a compreender melhor os efeitos colaterais e os riscos da interação medicamentosa.

Os conceitos de farmacocinética e farmacodinâmica

A farmacocinética avalia a forma com o nosso organismo reage ao medicamento e leva em conta a absorção, sua distribuição, como ele é metabolizado e eliminado do nosso corpo. Já a farmacodinâmica diz respeito a forma com o medicamento age (mecanismo de ação) e como o nosso organismo responde a ele.

Ou seja, conforme envelhecemos, a capacidade de o nosso organismo absorver, metabolizar e eliminar certas substâncias diminui. Em contrapartida, o tempo de permanência do medicamento no nosso corpo (meia-vida) pode aumentar consideravelmente. Dessa forma, a dose de alguns medicamentos também deve ser diminuída a fim de evitar a overdose e intoxicação do paciente.

No entanto, alguns medicamentos podem ser prescritos em doses inferiores ao necessário para evitar os efeitos colaterais e até mesmo a baixa adesão ao tratamento.

Os perigos dos indesejados efeitos colaterais

Mais de 60% das internações de pacientes idosos ocorrem devido aos efeitos colaterais provocados pela interação entre os medicamentos utilizados, principalmente quando envolvem medicamentos anticoagulantes, antiplaquetários, antipsicóticos, antidepressivos, sedativos e hipoglicemiantes.

Isso acontece porque o medicamento para tratar uma condição pode contribuir para a piora de outra doença, especialmente em idosos. Nesse sentido, a distinção entre os efeitos colaterais dos fármacos e os sintomas da doença é essencial para evitar a cascata de prescrições.

A interpretação incorreta do efeito colateral como sintoma de uma nova patologia induz a prescrição de um novo medicamento, que pode ser desnecessário e causar efeitos adversos adicionais. Isso induz a prescrição de um novo medicamento e o ciclo volta a se repetir.

Por isso, o fato de alguns medicamentos apresentarem como efeitos colaterais sintomas associados ao envelhecimento ou de doenças que acometem os idosos é essencial.

Então quais são as interações medicamentosas mais preocupantes em idosos?

São vários os medicamentos que fazem parte da polifarmácia: anti-inflamatórios, anticoagulantes, antidepressivos, antipsicóticos, anti-hipertensivos, ansiolíticos, diuréticos, medicamentos que controlam o diabetes (anti-hiperglicêmicos), entre outros.

Nesse sentido, pacientes diabéticos geralmente apresentam alguma comorbidade ou complicações da doença que incluem hipertensão, doenças cardiovasculares e neurológicas e renais. E, consequentemente ingerem vários medicamentos.

A metformina, um fármaco que auxilia na redução dos níveis de açúcar no sangue, é muito utilizado no tratamento para diabetes mellitus tipo 2. No entanto, a administração com outros medicamentos, como as sulfonilureias, deve ser feito com cuidado, uma vez que estas também contribuem para a diminuição da glicemia.

Esta mesma relação é válida para outros medicamentos, como os anti-hipertensivos (beta-bloqueadores, por exemplo), que podem mascarar sintomas da hipoglicemia.

Quais cuidados podemos ter para evitar os efeitos colaterais?

Vale ressaltar também que os medicamentos não são os únicos fatores associados aos efeitos colaterais. Afinal, muitos idosos também fazem uso de suplementos alimentares e vitamínicos, além de ervas medicinais. Ou seja, a equipe de profissionais que cuida do paciente também deve ser informada do uso destas substâncias.

E uma forma bastante simples de evitar a ocorrência desses efeitos é monitorar constantemente os medicamentos utilizados, principalmente aqueles de uso contínuo. E sempre que necessário introduzir um novo tratamento, algumas medidas como avaliar as possibilidades do tratamento sem medicação e checar a interação entre ele e os medicamentos já utilizados pelo paciente podem ajudar na redução dos efeitos adversos e na adesão ao tratamento.

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Referências:
The American Geriatrics Society 2015 Beers Criteria Update Expert Panel (2015). American Geriatrics Society 2015 updated beers criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. Journal of the American Geriatrics Society.
Hanlon J. T, Semla T. P, Schmader K. E (2015). Alternative medications for medications in the use of high-risk medications in the eldery and potentially harmful drug-disease interactions in the elderly quality measures. Journal of the American Geriatrics Society.
Ayalew M. B, Spark M. J, Quirk F, Dieberg G (2022). Potentially inappropriate prescribing for adults living with diabetes mellitus: a scoping review. International Journal of Clinical Pharmacy.

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